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Muxima
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Muxima apertado de saudade e repleto de amor. Cabeça confusa, sem rumo, em construção.
Alma doce, pura e dançante, uma dança contemporânea e clássica como o meu ser.
Vinda do berço, lá do sul, da minha Angola.
massalo:

Foam Hands by Destroyer
Part of the #Kianda

massalo:

Foam Hands by Destroyer

Part of the #Kianda

Quebrei a rotina, dei costas ao tempo e fui-me libertar. A música acompanhava todas as sensações, como se tocasse de acordo com elas. A calma de domingo fazia par perfeito com a noite quente.

Após uma pequena espera, eis que surgem os olhos, sinto o seu cheiro e o gosto de um beijo terno e demorado.

Entre risos e brincadeiras, um pequeno movimento deu lugar ao som dos grilos. Aconcheguei-me no seu peito e, ali mesmo, envolta naquele abraço, todas preocupações e inseguranças foram abafadas. O cérebro desligou-se e os lábios uniram-se num beijo suave e envolvente. O calor da noite foi substituído pelo calor dos corpos, enrolados um no outro.

Controle.

O cérebro voltou a dar o ar da sua graça. Permaneci ali, completamente absorta.
Fui absorvida, violentamente sugada por aquele momento. O silêncio, como tudo que se passava ali, era intenso.

Fomos saciar o desejo. Um banquete completo, com tudo a que tínhamos direito.

Enfim era hora, a realidade chamava. Maldito tempo.

Um abraço hesitado, travado, entregue ao medo, à incerteza, selou o momento.

Respirei fundo, inalei o seu cheiro entranhado na minha roupa. As suas impressões digitais, por todo meu corpo, era tudo que me restara, naquela que poderia ter sido uma madrugada qualquer.

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Procurei uma caneta em todos cantos visíveis desta casa, sem sucesso.

Queria escrever, queria deixar um recado. Depois de um bocado procurar, pr’aqui dirigi-me, pra extrair o recado de outra forma, duma forma mais minha, mais segura, por assim dizer.

É quando eu sei que sou humana. Nós humanos (ou eu humana) temos sempre essa confusão de pensamentos a reinar, a borbulhar, no ponto de ebulição.

Não era essa intenção. Contrariar a Natureza é difícil quando não há nenhum motivo forte pra isso. E não havia. É difícil resistir a geografia, a geografia de um corpo que se encaixa no meu, que derrete uma coisa de manteiga chamada coração. Ninguém o chamou! Mas ele faz questão de dar o ar da sua graça, para, mais uma vez, lembrar-me o quanto sou humana, do que sou feita, do que me construí. Foi obra minha! E qualquer artista que se preze, defende sua obra. E cá estou eu a defender a minha. Por isso ainda não me fui, pra fazer jus a toda essa obra.

O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro.
— Mia Couto, Terra Sonâmbula
Source:

Fica um beijo e um abraço

Morrem os dias no terraço

Teu gosto, teu contacto

tão presente, tão intacto

Sem data, sem garantia, uma imensa agonia

Apenas espera, tanta espera

É da forma que libera.

Alterna entre sorrisos e tremores, lágrimas e dores

Lamenta, assim alimenta

Uma espera sofrida, temida

Contei-vos a história do amor da minha vida.

Família que se escolhe. ♥

Família que se escolhe.

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Sentado no muro da varanda, batia os pés um no outro, como se com eles batesse palmas. Descia o muro, esfregava-nos a testa e roçava a sua na nossa. Queria passar as boas vibrações com aquele gesto. Trocamos emoções, sentimentos, pequenas aflições, pequenas grandes coisas que até então não sabia. Deu-nos as mãos, desculpou-se e de seguida deu um beijinho terno em nossas mãos.
- E se perdêssemos todos os sentidos? Não ouves, não sentes, não vês. É tudo escuro… Imaginas?
Tentei imaginar não sentir nem o vento, nada. Foi difícil.
- Imaginaram? Não há nada. Mas tem sempre alguma coisa. Vês essa coisa? Tem o que tu és, a tua essência. ‘Tás a ver quando tu choras? Quando acabas de chorar, não vem aquela paz? Aí lembras-te de tudo que és. (…)
Inspirei e olhei o horizonte, percebia o que ele dizia, perfeitamente. Deu-me um nó na garganta, apercebi-me que talvez eu fuja disso, da minha essência, involuntariamente.


Entrei pro quarto escuro onde se limpavam lágrimas e acalmava-se o coração. Deitei-me ao pé delas, ouvindo a cantoria. Pensava no que me tinha sido dito e na vontade que me restara.
Fui ter onde já alguns dormiam e dei um abraço. Firme, com afeição e, quem sabe, gratidão.
Apagaram-se as luzes. Houve paz dentro de mim. Conversa jogada fora, gargalhadas, pequenas revelações.


- Aprendemos muita coisa este fim-de-semana.
Há muito para além do óbvio, para além do exposto; muitas descobertas podem ser feitas todos os dias.
Esfregou-me a testa, roçou a sua na minha, apertou-me a mão e cada um seguiu viagem até ao seu destino.

Quantos segredos guardei
Quantas cartas escrevi e não as entreguei
Tantas vezes chorei e não partilhei
Os sentimentos de então
As coisas vividas
E as adormecidas
As que me fazem divagar
Que me fazem tresloucar
O que me faz querer-te
Podia esquecer
Mas prefiro perder
Perder-me no sorriso, no carisma

Ah!, e como me enche o coração quando me chamas de amor
Quando ficas juntinho e provocas calor
Só tu sabes jogar esses jogos do amor
Tu nem fazes promessas quando recomeças
Fazes recordar o que tento negar
E lembrar que é mesmo paixão
Ô, tamanha tentação!…

Mais um segredo criei então
Mais um poema não lido
Neste dia esquecido.

- Lisboa, Novembro de 2011

«Sambinha bom é esse que tem pouca nota, que é só tocar que logo você quer cantar.»

«Sambinha bom é esse que tem pouca nota, que é só tocar que logo você quer cantar.»

Mia Couto, em A Confissão da Leoa

Mia Couto, em A Confissão da Leoa

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